O Globo, 26/07/11
Publicada em 26/07/2011 às 10h23m
Paulo Roberto Araújo (pra@oglobo.com.br)RIO - Incrustado na capital do petróleo, o Parque do Atalaia, em Macaé, vai expandir suas fronteiras. A área de 2,5 milhões de metros quadrados de fauna rica e vegetação nativa e intacta vai ganhar mais 3,5 milhões de metros quadrados com a incorporação das terras da Fazenda do Sertão, que está em processo de desapropriação amigável. O crescimento vai garantir a preservação de mais um trecho remanescente da Mata Atlântica e mais proteção para uma centena de espécies animais, entre elas o Bugio, macaco que está em risco de extinção e é uma das estrelas da unidade de conservação. Na nova área também está a nascente do Rio Areia Branca, que deságua no Macaé.
Para o secretário de Meio Ambiente de Macaé, Maxweel Vaz, o Parque Atalaia é um dos mais bem estruturados do estado, pois conta com plano de manejo, alojamentos para pesquisadores, auditório, biblioteca e área para refeições. A desapropriação dos 3,5 milhões de metros quadrados, segundo o secretário, é apenas a primeira etapa do plano de expansão do parque:
- Uma cidade que recebe tanto impacto do setor petroleiro precisa dar uma contrapartida ao meio ambiente. A recuperação da Mata Atlântica degradada é uma desafio para o Estado do Rio. Com a ampliação do parque, a fauna e a flora são preservados, e a cidade aumenta sua arrecadação através dos incentivos do ICMS verde - previu Vaz.
Ambientalistas fotografam as belezas naturais do parque
A riqueza do Parque Atalaia, que fica a 27 quilômetros do Centro de Macaé, é tema do livro "Atalaia", que os ambientalistas e fotógrafos Rômulo Campos e Cláudia Barreto lançam nesta terça-feira, no Solar dos Mellos, em Macaé. Além da fauna, as lentes dos autores do livro retratam espécies raras da flora encontradas no parque, como jequitibá, vinhático, braúna e pau-d'alho. O parque foi criado em 1995 e é a principal unidade de conservação de Macaé.
FOTOGALERIA: Veja algumas imagens do livro
Além do Bugio, que é um animal diurno e pode viver em grupos de até 15 indivíduos, o parque abriga mais de 150 tipos de pássaros, cachorros do mato, furões, lontras, papagaios, tatus, gambás, entre outras espécies. Para fotografá-los, Rômulo e sua mulher, Cláudia, passaram muitas horas na floresta nos últimos anos. Numa das visitas ao parque, Cláudia pisou numa cobra jibóia de quase dois metros de comprimento, quando subiu numa pedra para ajudar o marido a iluminar uma aranha que seria fotografada.
- Fotografar a natureza é extremamente gratificante, mas ao mesmo tempo bastante extenuante. São dias e dias acordando de madrugada, colocando o equipamento fotográfico em risco constante, devido às condições adversas num ambiente preservado e selvagem. Mas quando você se depara com os bugios, com os tangarás, com as preguiças, é altamente recompensador - conta Rômulo Campos.
Além da proteção ambiental, o Parque Atalaia abrange uma proposta maior: a criação de corredores ecológicos ligando o parque às reservas União e Poço das Antas, habitats do mico-leão dourado. O corredor verde permite o deslocamento de diversas espécies de flora e fauna.
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