quarta-feira, 2 de março de 2011

A loucura porta carteira de motorista

“A loucura porta carteira de motorista
Algumas, muitas, a maioria das pessoas não compreende a dimensão dos próprios direitos. A reação pró-assassinato dos ciclistas que protestavam é simplesmente surpreendente. Espero que não se tente assassinar professores, metalúrgicos ou outras categorias quando, em protestos legítimos, obstruírem as ruas e avenidas de uma cidade. Ou comboios do exército, quando estes garantirem o próprio privilégio legal de passagem por essas mesmas ruas e avenidas. Ou as autoridades públicas quando trancarem as ruas com batedores em alta velocidade. A loucura anda solta e porta carteira de motorista. É assustador. Mais, ainda, quando cidadãos apoiam a quase chacina ocorrida em Porto Alegre, com razões infantis, como a necessidade de pedir licença à autoridade para circular de bicicleta pelas vias públicas da cidade, seja em grupo de três ou cem. De lembrar que automóveis também andam em grupos e se auto-obstruem em colossais engarrafamentos e não pedem licença a essa mesma autoridade. Lamentável é uma palavra fraca demais. O episódio é tristemente lamentável, porque se trata de um indicativo do quão frágil é nossa cidadania e quão infantilizados estão nossos corações e mentes. Estamos perdidos na obscuridade sem remédio.
Temos observado pessoas ligadas à segurança do trânsito emitirem opiniões reveladores de uma visão totalmente anti-cidadã. Uma dessas convicções entende que bicicletas não devem andar no trânsito, mas, sim, em parques, em pistas especiais, por lazer. Temo que tais idéias venham da própria formação desses profissionais, e mesmo de universidades. A conscientização, esta fica em segundo plano. Pouquíssimo se faz nessa direção. É hora de uma revisão conceitual. E, principalmente, garantir o direito dos ciclistas. Parece mais fácil fazermos acusações às próprias vítimas do trânsito que, no presente caso, estão buscando, seguindo tendência mundial, o direito de circular sem poluir. Direito esse que se afigura como um dever de consciência para aquele grupo de pessoas.
Espero estar entre elas na próxima bicicletada.
Edgar O. Lopes ”

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