quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Rodovia RJ-122, que liga Guapimirim a Cachoeiras de Macacu, terá asfalto ecológico


Asfalto de borracha na RJ 122. Foto: Fernando Frazão - O Globo
RIO - Uma das piores rodovias do estado será, em breve, a primeira estrada ecologicamente correta fluminense. Cerca de 420 mil pneus que iriam para o lixo estão sendo usados na restauração completa dos 35 quilômetros da RJ-122, que liga Guapimirim a Cachoeiras de Macacu e é um dos acessos a Nova Friburgo. É o asfalto borracha com alta viscosidade, que, pela primeira vez no Brasil, está sendo produzido em uma usina, com equipamentos importados dos Estados Unidos, no próprio local da obra. Isso aumenta a qualidade e a durabilidade do pavimento de 10 para 20 anos, em média.
O asfalto borracha foi a grande atração no congresso promovido pela Associação Brasileira de Pavimentação, na semana passada, no Rio. A novidade já chegou a algumas cidades do Brasil, inclusive ao Rio, mas a RJ-122 será a primeira rodovia brasileira recuperada com a tecnologia. Até então, usava-se apenas asfalto borracha de baixa viscosidade, produzido em refinarias distantes das rodovias, impedindo a aplicação de grandes quantidades da massa especial.
- O objetivo é adotar uma tecnologia usada na Europa e nos Estados Unidos. Estamos fazendo pesquisas para, em breve, incorporar plásticos na produção do asfalto borracha, incluindo garrafas Pet, que poluem nossos rios - explicou o presidente do DER-RJ, Henrique Ribeiro.
Além de aproveitar os pneus - triturados e transformados em pó de borracha -, a tecnologia reduz o ruído na passagem dos veículos, beneficiando quem mora às margens das rodovias. Diretor de Obras do DER na Região Metropolitana, Ângelo Monteiro Pinto destaca a economia do asfalto borracha produzido no local da obra:
- Com o asfalto tradicional, a restauração do pavimento deve ser feita entre oito a dez anos, dependendo das condições de uso. Com o asfalto borracha de alta viscosidade, a durabilidade sobe para 20 anos.
Na RJ-122, a massa produzida na usina móvel é transportada rapidamente para ser aplicada ainda quente. É o segredo para se obter o material extremamente elástico, denso e de durabilidade 60% maior que o asfalto tradicional. Todo o processo é acompanhado pelo laboratório de testes de qualidade e resistência do asfalto.
Inea apoia uso do novo material
O presidente do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Luiz Firmino, disse que o Inea já havia recomendado a aplicação do asfalto borracha nas estradas-parque Capelinha-Mauá, em Resende, e Parque do Cunhambebe, que liga Rio Claro a Mangaratiba. As obras estão sendo feitas pelo DER, mas com asfalto de baixa viscosidade comprado em refinarias da Petrobras.
- O asfalto borracha chegou para ficar porque é ambientalmente correto. Nunca se conseguiu dar uma destinação adequada aos pneus usados. Nas obras do PAC na Baixada Fluminense, foram retirados mais de 20 mil pneus dos rios. Do ponto de vista ambiental, a tecnologia do asfalto borracha é excelente - afirmou.

O GLOBO ON - 02/11/2010

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